terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Sopro

O vento soprou parecendo saber... Para onde e por onde irá? Nem ele sabe... Apenas segue seu fluxo desviando de obstáculos ao mesmo tempo que os sacoleja impelindo-os a ceder passagem, se fazendo ouvir por entre as frestas ou entrando repentinamente pela janela. Sem pedir licença, sopra...

quarta-feira, 28 de março de 2012

Deus segundo Spinoza




“Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.

Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa.
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.

Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau.
O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.

Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?

Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?
Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?

Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.

Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro.
Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho: Vive como se não o houvesse.
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei.
E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?

Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.

Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo.
Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.

Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, batendo em ti.


Baruch Spinoza

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Rilke - Cartas a um jovem poeta

Trecho da carta publicada no livro Rilke- Cartas a um jovem poeta, escrita a Franz Xaver Kappus em 23 de abril de 1903 em Viareggio ( Itália):

"...Permita a suas avaliações seguir o desenvolvimento próprio, tranquilo e sem perturbação, algo que, como todo avanço, precisa vir de dentro e não pode ser forçado nem apressado por nada. Tudo está em deixar amadurecer e então dar à luz. Deixar cada impressão, cada semente de um sentimento germinar por completo dentro de si, na escuridão do indizível e do inconsciente, em um ponto inalcançável para o próprio entendimento, e esperar com profunda humildade e paciência a hora do nascimento de uma nova clareza: só isso se chama viver artisticamente, tanto na compreensão quanto na criação.
Não há nenhuma medida de tempo nesse caso, um ano de nada vale, e mesmo dez anos não são nada. Ser artista significa: não calcular nem contar; amadurecer como uma árvore que não apressa sua seiva e permanece confiante durante as tempestades da primavera, sem o temor de que o verão não possa vir depois. Ele vem apesar de tudo. Mas só chega para os pacientes, para os que estão ali como se a eternidade se encontrasse diante deles, com toda a amplidão e a serenidade, sem preocupação alguma. Aprendo isto diariamente, aprendo em meio a dores às quais sou grato: a paciência é tudo!" 
Rainer Maria Rilke

quarta-feira, 20 de abril de 2011

"À Virguloide"

Por reticente incerto vejo o futuro, sentindo à cada momento
o quão importante e encantador é o presente.
Esse que se forma, tomando forma de um bem-querer desejado
e amavelmente esperado.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Vejo cenas deprimentes onde os protagonistas não passam de medíocres
Tolos hipócritas que dançam a mesma música novamente
crendo que o fazem com passos diferentes
Escarrando a saliva engasgada cospem espinhos, que antes reprimidos, agora irrompem rasgando a doída e já sangrenta garganta

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Fale...


Fale do amor...
Fale da entrega à ele que nos põe sutilmente abertos ao que vier
e desse incerto que talvez seja um afago, talvez seja um estrago...
Ao aberto peito há a possibilidade da dor
No aberto peito enfia-se o dedo só para ve-lo comprimir e retorcer com ardor
"Doa-te para que se doe" dizem eles afogados em lameiros
Doa-te, mostra-te, arregassa teu peito para que aquele um lhe toque a carne e lhe faça os dentes ranger
"Ah, mas que belo é o amor..."

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Avoemos, "Avoés"...

Há quem diga que quanto maior o voo, maior a queda...


"Se o tempo sempre tem razão, se tudo sempre vai mudar, pra que manter os pés no chão se todo mundo quer voar." { Espirais- M.E.}



Há quem diga que se cair, do chão não passa...


Alice/Dana

sábado, 2 de outubro de 2010

...


O “azulecente” da alma

de minha enamorada calma

jubilosa por te ver

já não pensa em se conter

De veras te abraço

e no aconchego de nosso deleitoso enlaço

adormeço aninhada no acalento de teus braços



...

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

"PROSDOIS" o principio

Escrita livre. Nela dou vazão aos devaneios que circundam confusos em minha mente. Ando em círculos. Texto. Pensando evitar os pensamentos que vêm a mim como "flashs" impossíveis de serem evitados. Confesso. Te quero. Mas não quero. Oh, como quero, quero do modo mais displicente, te quero, apenas, não tão ausente. Ah, que tão fecunda seja a autópsia dos amores passados, quando dignificados pela luz de um incerto e desconhecido talvez. Não é a incerteza que me atrai, mas o intrínseco escondido, enclausurado sob a máscara da necessária distância cotidiana.


Alice/Dana
Sob os auspícios de Tuaíh

sábado, 28 de agosto de 2010

" Polhoder"

Esses teus olhos estranhos que me perseguem, famintos, adentrando minh'alma
Perturbando, desconsertando, buscando...
Despindo-me.

Desvio.
O nego e renego
Não mantenho.


E de formar parva, enrubescida e oscilante,
esquivo.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

" Aurora"

Além de um eclipse, onde um se sobrepõe ao outro.
É um "novo recomeço"...
Claro e distinto, como nunca houve.
De excentricidade tal que encanta e desarma, da forma mais sutil, até o mais astuto em subterfúgios.
E no harmonioso encontro sob o imenso celeste, Sol e Lua desfrutam do sensível equilíbrio de suas existências fazendo extasiar o "ser" em um magnífico crepúsculo onde os ditos opostos unem-se em sublimação.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Kingdom of Heaven (A New Age Dawns - Part V)


{ É enorme, mas vale apena.}
Eis uma música, como tantas outras, da banda Epica que vale se 'gastar' parte do tempo para pensar, analisar ou simplesmente ler com certa atenção. Algo interessante e evidente no ultimo álbum da banda ( Desing Your Universe) são as temáticas que falam de uma nova era, dos tão queridos agregados psicológicos do bicho homem ( ganância, orgulho, ...) , enfim.
Como Admiradora da banda ( de modo geral) sei que a maior parte das letras ( para não dizer todas, pois não o posso afirmar) foram escritas por seu fundador, compositor, vocalista (canto gutural) e guitarrista, formado em psicologia, Mark Jansen. Que em entrevistas sobre o novo album ( DYU) fala:
É quase impossível escrever um álbum sem alguns desses temas. O que eu posso dizer da minha parte da história é que me fascina muito a forma como o ser humano evoluiu de um ser social para um ser ambicioso e egoísta. A introdução do dinheiro e da revolução industrial trouxe algum conforto mas cada vez mais esse conforto vai para um grupo seleto de pessoas. No final, esse sistema só é bom para 10% de toda a população. E o que eu aprendi é que aqueles que mentem melhor e tem truques sórdidos conseguem as melhores posições nas empresas e as empresas que sabem os melhores truques e usam a mentiras mais eficientes crescem. No final das contas, somos dependentes de empresas sujas e mentirosos corruptos. Isso não está certo.

O ser humano é um ser social, mas nesse sistema nós somos forçados a seguir o fluxo ou fracassamos. Ainda acho que há como mudar isso. Isso tem que mudar pois estamos no fim da linha de um caminho de auto-destruição. Então, ou o sistema explodirá e nós destruiremos a Terra e a nós mesmos, ou fazemos mudanças. E eu não estou falando dos governos planejarem redução de 5% de CO2 pois sabemos que isso não fará grande diferença. Precisamos de uma completa modificação de pensamento ou destruiremos tudo. Muitas pessoas compreendem hoje que esse é o caminho, então vamos nos unir e fazer essa mudança! É responsabilidade de todos tomarem parte nessa mudança.
(Fonte: http://www.territoriodamusica.com/entrevistas/?c=840 )

"Recortes da letra" traduzida:

Kingdom of Heaven (A New Age Dawns)
Reino do paraíso ( Uma nova era surge)

"...A Física Quântica nos leva a
Respostas para grandes tabus

Ciência, espiritualidade
Terão que se encontrar ao longo do caminho e
Precisamos de novos desígnios, uma outra visão
Expandir nosso controle sobre a alma enigmática

Esperança é mais do que uma decepção adiada...


...Abra o seu Sahasrara ( Na tradição Hindu é considerado o chacra mais importante pois atravéz de seu 'estimulo' dinamiza-se a capacidade espiritual e a consciência superior do ser humano.)

A luz cria a todos nós
O orgulho nos fará cair
Vida é significativa
Vida deleita a todos nós...

...A alma sobrevive a todos nós...

...Nosso despertar chama...

...Foi-me dada clareza
E a sabedoria que eu não posso negar

Tudo o que nunca pudemos ver
Até deixarmos esta frágil existência
É apenas uma sombra da realidade
A morte não é a instância final...

...Nós não estamos sozinhos, somos todos um...

...Nossas capacidades limitadas
Nos dão problemas para compreender

Estamos ligados em todos os sentidos
E somos fortes como o nosso mais fraco fragmento
Cada palavra que transmitimos
É um ato com consequências...

...A ganância que nos fará cair..."

Fonte: http://letras.terra.com.br/epica/1566529/



"Do you want play a game?"

Na efemeridade dos "jogos"
Na inconstância dos lábios
Na frieza dos olhos
Na frouxidão dos abraços
Sem laços ou enlaços
Apenas mais um, mais outro
Mais uma noite
Um jogo

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Ulisses Tavares

"Entre o nada e qualquer coisa
Meu coração dança miudinho."

"Bem-querer"

de Chico Buarque

Quando o meu bem-querer me vir
Estou certa que há de vir atrás
Há de me seguir por todos
Todos, todos, todos o umbrais

E quando o seu bem-querer mentir
Que não vai haver adeus jamais
Há de responder com juras
Juras, juras, juras imorais

E quando o meu bem-querer sentir
Que o amor é coisa tão fugaz
Há de me abraçar com a garra
A garra, a garra, a garra dos mortais

E quando o seu bem-querer pedir
Pra você ficar um pouco mais
Há que me afagar com a calma
A calma, a calma, a calma dos casais

E quando o meu bem-querer ouvir
O meu coração bater demais
Há de me rasgar com a fúria
A fúria, a fúria, a fúria dos animais

E quando o seu bem-querer dormir
Tome conta que ele sonhe em paz
Como alguém que lhe apagasse a luz
Vedasse a porta e abrisse o gás
Me escapa por entre os dedos a prudência.
E submersa em aflição neste vão intento "(pre)vejo" a efemeridade dos fatos que sucedem.
No coração aflito: o vácuo que a mente, em defesa, cria.
No peito nu e aberto de carne exposta: a dilaceração corroída impregnada pela podridão dos sentimentos.
O atormento.
A revolta pela ânsia de teus lábios
De tua língua...

sábado, 7 de agosto de 2010

"Pamarelopel"

“...Pois na verdade algumas coisas são 'simplesmente inevitáveis', nos cabendo apenas a escolha do caminho para chegar até elas, e assim nos deixamos ficar à mercê daquele que por vezes 'constrói' mas por vezes também 'destrói'. O tempo.
Porém, como eu havia dito, o caminho e a forma que vamos percorre-lo depende unicamente de nós. Assim como também depende de nós 'se' e 'o que' aprenderemos com nossos fracassos, quedas, erros, decepções.
Mas será realmente o 'tempo', a 'chave' para os ditos infortúnios da vida? Deixar que o 'tempo' se encarregue de construir, destruir, curar, ou o que quer que seja, não será apenas mais uma forma que encontramos de nos abster?”

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Quase

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Luis Fernando Veríssimo

"Releitura"

Dance para a Lua.
Dance com o Espírito.
Conceda ao teu corpo a linguagem que as palavras desconhecem.
Se dignifique à morada do poderoso encanto dos Elementos.
Sinta o Ser.
Sinta o vibrar do som que purifica teus sentidos.
Ouça a voz que te inebria com segredos inconfessáveis.
Segue a música.
Deixa que se revele tua Alma.


Texto original de Josiele Machado